domingo, 26 de julho de 2009
de longe
agora são bem mais velhos do que quando se conheceram. a amizade foi bem menos do que poderia ter sido, nunca, certamente, por sua culpa. a mesa, suja como roupa em tanque, diz um pouco da noite que passa. a conversa se estende, um monólogo interrompido por vários "tens razão". ouve que tem que mudar, que aquela merda toda só vai ter um fim, que é uma solidão orgulhosa e crente de uma camaleónica perfeição
ele não nega o que ouve. por vezes, desculpa-se. depois apaga as palavras e segue sendo aquilo que não é.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
há dez anos
Olho pra frente e fico confiante. Gosto da vida que tenho e acho que o meu futuro também me vai agradar. Me orgulho. Estou feliz. Mais do que isso. Sou feliz.
para mais:
pedro luís e a parede, festival delta tejo, 4 de julho. vale a pena!
terça-feira, 9 de junho de 2009
tempo a mais
acordar ao meio dia e ir para milão ao fim da tarde, quarto de hotel, umas voltas na rua, acordar as 3 da manhã e voltar para lisboa e ir dormir às 10 da manha. acordar às 14 e voltar pro avião, um menor mas que me dá mais que fazer.
o meu feijão com arroz.
encontrar amigos, falar com a família, resolver aquelas coisas que faltam.
tenho tempo pra tudo. mas existe um conflito quando muitas coisas ao mesmo tempo encontram a minha pouca organização.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
o mapa cor-de-rosa
com certeza, a maioria de vocês já ouviu falar do mapa cor-de-rosa. aquele, que lá para os fins dos 1800 foi reclamado pelo portugueses como território nacional. basicamente, tornar português aquele espaço entre Angola e Moçambique. no fundo, atravessar África de ocidente para oriente, à la Capelo e Ivens... mas com mais de 100 anos de intervalo.
o objectivo continua o mesmo, o campeonato do mundo de futebol na África do Sul, o caminho é que se alterou. agora é o seguinte:
- chegar a Luanda e descer até Benguela (os nossos headquarters) e arrancar daí para só ver mar algures por Quelimane, passando pela Zâmbia (quem sabe Lusaka). Esse caminho ainda está por definir, mas Benguela e Quelimane são paragens obrigatórias. depois é rumar a sul, de Maputo à Cidade do Cabo. Qualquer coisa parecida com isto:
não é preciso convite para entrar nesta expedição. basta só dinheiro e tempo... e um bocadinho de coragem talvez. ah, e fiquem tranquilos: de acordo com o googlemaps, há estradas em África!
domingo, 12 de abril de 2009
maluco beleza
desprovidos da noção de realidade e sem qualquer tipo de censura mental, abordam temas absurdos como o recomeço da guerra colonial ou a perseguição pela televisão. há também aqueles que só abordam a vida alheia, famosa ou desconhecida.
ainda hoje cruzei com um maluquinho desses, que falava alto como se comunicasse com alguém à distância. mal sabia ele que o seu 'amigo' estava ali tão perto, na sua maluca cabeça!
quinta-feira, 9 de abril de 2009
o que sobrou do céu
antes de montar a sua banca, passa no armazém que fica na perpendicular da rua principal pra buscar o que há-de vender. com as costas carregadas, leva tudo até à sua esquina, onde deixa, todos os dias, desmontado o seu 'escritório'. quando acaba de montar a banca e de colocar o seu ganha-pão por cima dela, são 7 horas da manhã. aí começa o seu dia...
hoje não. o horário de verão confundiu o seu relógio e saiu de casa depois das 6h30. a condução demorou mais 25 minutos do que o normal por que o trânsito não era o normal. chegou depois das 8 e perdeu o bom da hora do rush, os seus clientes.
faltou luz mas era dia
sábado, 4 de abril de 2009
são gonça, seu jorge
pretinha
faço tudo pelo nosso amor
faço tudo pelo bem de nosso bem (meu bem)
a saudade é minha dor
que anda arrasando com meu coração
não duvide que um dia
eu te darei o céu
meu amor junto com um anel
pra gente se casar
no cartório ou na igreja
se você quiser
se não quiser, tudo bem (meu bem)
mas tente compreender
morando em São Gonçalo você sabe como é
hoje a tarde a ponte engarrafou
e eu fiquei a pé
tentei ligar pra você
o orelhão da minha rua
estava escangalhado
meu cartão tava zerado
mas você crê se quiser...
quinta-feira, 5 de março de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
vontade de nada
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
onde eu nasci
eu costumo pensar no lugar onde eu nasci. e nas voltas que dei entretanto. e porque voltei ao lugar onde eu nasci.

saí de lá pequeno então não me lembro de nada... só do prédio onde a gente morava, por que a minha tia depois ficou com a casa, por que era boa e tinha piscina. o meu irmão aprendeu a nadar naquela piscina.
voltei enquanto a minha tia morava lá. mas fiquei quase uns 20 anos sem voltar lá. não me identifico com nada lá. já ouvi algumas histórias, mas já são de outra época.
não sei... só gosto de pensar no chão que andei depois que nasci.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
cone de chocolate

um dia cheguei à sorveteria e o empregado disse: "um cone de chocolate, não é?"
depois disso, nunca mais voltei a essa sorveteria.
domingo, 21 de dezembro de 2008
a minha santa ignorância
só gostei realmente de uma peça na vida, uma que a minha irmã fez há uns dois ou três anos atrás. tudo o resto me parece sempre um pouco forçado, com demasiadas pretensões intelectuais. confesso que o teatro a que me refiro, são, na sua maioria, produções pequenas. mas mesmo coisas mais profissionais, das que vi, me pareceram seguir o mesmo caminho. tudo é deixado ao espectador, para interpretar e imaginar. ora, é fácil para mim dar uma folha em branco e deixar que cada um a pinte ao seu gosto e dizer que o artista sou eu. talvez eu esteja demasiado ligado ao cinema, em que tudo nos é dado na boca, de uma forma mais clara e directa. e com mais meios. sou fã do replay e do slow motion, dos diversos planos. mas também não gosto de efeitos especiais.
não gosto de poesia. (e agora, todos os pseudo-intelectuais que estão a ler o post fecham o internet explorer.)
em relação à poesia, acho que o defeito é meu. não sei apreciar poesia. sou demasiado básico, talvez. não gosto de restrições de escrita e de leitura. é claro que há poemas que me agradam, até sei um ou outro de cor. mas não sei, prefiro prosa, só isso.
e gosto de futebol. agora podem passar o atestado de ignorante, com carimbo na testa.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Libelo

E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos, uma pro caniço, outra pro queixo, que é pra ele poder se perder no infinito, e uma garrafa de cachaça pra puxar tristeza, e um pouco de pensamento pra pensar até se perder no infinito...
– Mas o amigo foi ludibriado, e é preciso por ele lutar!
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra – um pedaço bem verde de terra – e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar; e um jardim – que um jardim é importante – carregado de flor de cheirar?
E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos pra mexer na terra e arranhar uns acordes no violão quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque pra puxar mistério, que casa sem mistério não vale morar...
– Mas a terra foi escravizada, e é preciso por ela lutar!
De que mais precisa um homem senão de um amigo pra ele gostar, um amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar – basta olhar – um desses que desmereça um pouco da amizade, de um amigo pra paz e pra briga, um amigo de casa e de bar?
E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois das ausências, e pra bater nas costas do amigo, e pra discutir com o amigo e pra servir bebida à vontade ao amigo?
– Mas o amigo foi ludibriado, e é preciso por ele lutar!
De que mais precisa um homem senão de uma mulher pra ele amar, uma mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular? E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de um carinho de mulher quando a tristeza o derruba, ou o desatino o carrega em sua onda sem rumo?
Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher – as únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo amigo...
Vinícius de Moraes





