música: dead man walking, pearl jam
quinta-feira, 5 de março de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
vontade de nada
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
onde eu nasci
eu costumo pensar no lugar onde eu nasci. e nas voltas que dei entretanto. e porque voltei ao lugar onde eu nasci.

saí de lá pequeno então não me lembro de nada... só do prédio onde a gente morava, por que a minha tia depois ficou com a casa, por que era boa e tinha piscina. o meu irmão aprendeu a nadar naquela piscina.
voltei enquanto a minha tia morava lá. mas fiquei quase uns 20 anos sem voltar lá. não me identifico com nada lá. já ouvi algumas histórias, mas já são de outra época.
não sei... só gosto de pensar no chão que andei depois que nasci.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
cone de chocolate

um dia cheguei à sorveteria e o empregado disse: "um cone de chocolate, não é?"
depois disso, nunca mais voltei a essa sorveteria.
domingo, 21 de dezembro de 2008
a minha santa ignorância
só gostei realmente de uma peça na vida, uma que a minha irmã fez há uns dois ou três anos atrás. tudo o resto me parece sempre um pouco forçado, com demasiadas pretensões intelectuais. confesso que o teatro a que me refiro, são, na sua maioria, produções pequenas. mas mesmo coisas mais profissionais, das que vi, me pareceram seguir o mesmo caminho. tudo é deixado ao espectador, para interpretar e imaginar. ora, é fácil para mim dar uma folha em branco e deixar que cada um a pinte ao seu gosto e dizer que o artista sou eu. talvez eu esteja demasiado ligado ao cinema, em que tudo nos é dado na boca, de uma forma mais clara e directa. e com mais meios. sou fã do replay e do slow motion, dos diversos planos. mas também não gosto de efeitos especiais.
não gosto de poesia. (e agora, todos os pseudo-intelectuais que estão a ler o post fecham o internet explorer.)
em relação à poesia, acho que o defeito é meu. não sei apreciar poesia. sou demasiado básico, talvez. não gosto de restrições de escrita e de leitura. é claro que há poemas que me agradam, até sei um ou outro de cor. mas não sei, prefiro prosa, só isso.
e gosto de futebol. agora podem passar o atestado de ignorante, com carimbo na testa.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Libelo

E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos, uma pro caniço, outra pro queixo, que é pra ele poder se perder no infinito, e uma garrafa de cachaça pra puxar tristeza, e um pouco de pensamento pra pensar até se perder no infinito...
– Mas o amigo foi ludibriado, e é preciso por ele lutar!
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra – um pedaço bem verde de terra – e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar; e um jardim – que um jardim é importante – carregado de flor de cheirar?
E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos pra mexer na terra e arranhar uns acordes no violão quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque pra puxar mistério, que casa sem mistério não vale morar...
– Mas a terra foi escravizada, e é preciso por ela lutar!
De que mais precisa um homem senão de um amigo pra ele gostar, um amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar – basta olhar – um desses que desmereça um pouco da amizade, de um amigo pra paz e pra briga, um amigo de casa e de bar?
E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois das ausências, e pra bater nas costas do amigo, e pra discutir com o amigo e pra servir bebida à vontade ao amigo?
– Mas o amigo foi ludibriado, e é preciso por ele lutar!
De que mais precisa um homem senão de uma mulher pra ele amar, uma mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular? E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de um carinho de mulher quando a tristeza o derruba, ou o desatino o carrega em sua onda sem rumo?
Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher – as únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo amigo...
Vinícius de Moraes
sábado, 22 de novembro de 2008
janta, marcelo camelo
eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
pode ser cruel a eternidade
eu ando em frente por sentir vontade
eu quis te convencer mas chega de insistir
caberá ao nosso amor o que há de vir
pode ser a eternidade má
caminho em frente pra sentir saudade
paper clips and crayons in my bed
everybody thinks that i'm sad
i'll take a ride in melodies and bees and birds
will hear my words
will be both us and you and them together
cause i can forget about myself, trying to be everybody else
i feel allright that we can go away
and please my day
i let you stay with me if you surrender
eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
(i can forget about myself trying to be everybody else)
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
(i feel all right that we can go away)
pode ser a eternidade má
(and please my day)
eu ando sempre pra sentir vontade.
(i'll let you stay with me if you surrender)
participação de mallu magalhães
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
este fim de semana...

galinhos, rio grande do norte.
a vida é boa e existem coisas que nunca mudam.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
diálogo de horas erradas
"agradeço a preocupação, mas não a quero. é sério.
o que eu quero é que nem penses nisso. deixa andar. eu não penso nisso. eu não me preocupo com o que há-de vir. estou bem agora e não me interessa se o vou estar daqui a dez minutos. estou feliz com o que tenho e por isso deixo andar.
e o deixar andar não é dizer que sei qual será o fim disto. não sei e já passou o tempo em que arriscava a previsão. agora só deixo andar. o tempo é teu, aproveita-o, faz dele o melhor que puderes. sê tu própria e cresce olhando para dentro. eu observo. eu aplaudo.
só quero que olhes para mim e não penses em segundas intenções. quero que estejas comigo quando quiseres estar comigo e que fales comigo quando quiseres falar comigo. não quero que tenhas receio de nenhum dos dois, por nada. não te retraias.
quanto àquilo que eu já falei demais, guarda tudo numa gaveta... pode ser que um dia dê jeito."
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
sozinho
não quis chegar a um ponto em que me achasse acima. não quis chegar a um ponto em que rejeitasse algo por onde passei. não quis, nem quero, nem hei-de querer, fugir de onde comecei... mas fujo, sem querer e sem pensar, e pensando sei que fujo, e que corro. e aquilo que queria ser, de perto e de verdade, já não consigo e tenho asco. só já não sei se o asco vem daquilo que não sou ou se daquilo que não consegui ser.
e me apaixono pelo que me vai na cabeça. e quando vejo que na vida aquilo não é real, mais me agarro ao que penso e ao que me apaixonei... e passa, como passaria mais rápido se o tivesse pensado. e a minha paixão não é pelo que realmente existe, mas pelo que realmente me passa pela cabeça. ah, e como queria que tudo fosse tanto aquilo que quero. mas não. agora, eu sou apenas apaixonado pelo que me vai na cabeça. e sou tão egoísta ao querer que a minha cabeça esteja tão certa, que me perco e acho que o certo é só o que me vai na cabeça. e a minha paixão acaba por ser tudo aquilo que me vai na cabeça. serei eu apaixonado por mim mesmo?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008
o gato que queria ser pássaro
a separação foi brusca e o novo ambiente apresentou-se hostil. esperava-o outro bicho, pelo menos dez vezes maior do que ele. entre berros, latidos e miados, criou-se uma coexistência pacífica com certos momentos de amizade até. mas perdia-se entre os hábitos caninos e outros que tais.
tornou-se demasiado dependente dos donos, um pinga-amor quase. não tinha a delicadeza felina, nem aquele instinto selvagem. era trapalhão e mimado, com requintes de malvadez.
um dia subiu a uma janela. aberta. gostou da vista, aproximou-se do parapeito. ficou maravilhado quando viu aqueles bichos que cantavam e sarabandeavam pelo ar.
todos os dias subia ao parapeito, cada vez mais perto da borda. queria ser um deles. um dia chegou mesmo a ensaiar o salto, mas arrependeu-se a tempo e voltou para trás.
hoje a tentação venceu. tudo lá fora brilhava mais, vibrava mais. atirou-se. e voou, batendo asas que não tinha, em movimentos que desconhecia. voou, voou. mais do que a liberdade, foi o vento no focinho o que mais o maravilhou.
quando embateu no chão, chegou ao céu.

domingo, 9 de novembro de 2008
quem vive melhor?
o optimista, esperando sempre o melhor de tudo e vivendo com algumas desilusões?
ou o pessimista, esperando sempre o pior e surpreendendo-se com as coisas boas?

eu próprio já estive mais optimista sobre esta resposta.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
oxford comma, vampire weekend
i've seen those English dramas too
they're cruel
so if there's any other way
to spell the word
it's fine with me, with me
why would you speak to me that way
especially when I always said that I
haven't got the words for you
all your diction dripping with disdain
through the pain
i always tell the truth
who gives a fuck about an Oxford comma?
i climbed to Dharamsala too
i did
i met the highest lama
his accent sounded fine
to me, to me
check your handbook
it's no trick
take the chapstick
put it on your lips
crack a smile
adjust my tie
know your boyfriend, unlike other guys
why would you lie about how much coal you have?
why would you lie about something dumb like that?
why would you lie about anything at all?
first the window, then it's to the wall
lil' Jon, he always tells the truth
check your passport
it's no trick
take the chapstick
put it on your lips
crack a smile
adjust my tie
know your butler, unlike other guys
why would you lie about how much coal you have?
why would you lie about something dumb like that?
why would you lie about anything at all?
first the window, then it's through the wall
why would you tape my conversations?
show your paintings
at the United Nations
lil' Jon, he always tells the truth
terça-feira, 4 de novembro de 2008
na palma da mão

passo todos os dias naquela esquina e lá está ela: uma cigana, que busca as mãos dos transeuntes para ganhar a vida.
vezes sem conta, a mesma mulher estende a mão. a cigana lê os vincos e professa.
pela assiduidade da leitura, todos os dias ímpares e enublados, imagino a importância das palavras da cigana na vida daquela mulher. imagino todos os seus passos comedidos, sempre com aqueles conselhos na cabeça, contendo seus actos e suas palavras para não contrariá-los. rege a sua vida sob aquele guião.
a cigana sabe disso. tenta dizer-lhe que não viva só daquilo. que há outros caminhos pela frente. ela própria sabe que o seu ofício pouco tem de científico e aquela dependência aflige-a. é uma responsabilidade demasiado grande para um simples exercício de adivinhação.
já faz uma semana que não vejo a cigana naquela esquina. e três dias desde a última vez que a mulher passou ali, em prantos.
tive que inventar a história para justificar os factos.


